48. Entrevista – Diário da Manhã – “Há autores que consideram de grande importância para o dinamismo da língua, a linguagem coloquial”. O senhor concorda?
Douglas Avanço – Como o próprio nome sugere, é um jeito de usar a linguagem como instrumento em nossas conversas; é ali, principalmente, na linguagem coloquial, que nascem as palavras novas, as expressões novas, o sentido novo para as palavras velhas, o jeito diferenciado de falar (de um lugar para outro) e inclusive as palavras e expressões da gíria...
Diário da Manhã – Gíria, que muitos puristas consideram abominável?
Douglas Avanço – É verdade. Mas a gíria não é abominável simplesmente por ser gíria, isto é, ela é normal, ela nasce naturalmente, ela é ocasional e temporária; ela reflete um momento do tempo passageiro do usuário e tem nada de incompreensível, feio ou estranho”.(Diário da Manhã, 12.03.08)
A professora de português, Cláudia Mialichi diz que: “... as pessoas não precisam falar o português erudito, já que o coloquial existe e tem o seu valor, mas é importante ter uma escrita correta se quiser conquistar um bom lugar de trabalho...” (BC-15)
Exemplo de crônica sem citar os personagens do diálogo, de Flávio Paranhos – “O neurastênico” – Paulo Otávio é um leitor neurastênico.
- Nada disso. Sou um cartesiano radical.
- Cartesiano? Mas ele não partia da dúvida pra chegar à certeza?
- Eu radicalizo. Parto da certeza pra chegar à dúvida.
- Então você é o oposto.
- Não. Eu radicalizo o cartesianismo até seu paroxismo ou estertor final, se preciso for.
- Hein?
- Quando eu leio uma revista, eu parto da certeza de que ela está mentindo, daí posso, ao longo da leitura, conceder o benefício da dúvida.
- Então, amigo leitor, como eu ia dizendo (e você pôde constatar), PO é um leitor neurastênico. Adora aporrinhar a mim e a meus coleguinhas.
- Eu ia dizendo...
- Você ia dizendo...
- É impressionante como uma mesa notícia pode sair de formas completamente diferentes.
- Está exagerando.
- Não estou não. Olha aqui. Pra essa nada foi explicado com o discurso do senador. Pra outra, foi suficiente, e até desenvolve uma teoria conspiratória interessante. Pra essa outra aqui, a teoria conspiratória se volta contra a própria imprensa.
- São linhas editoriais diferentes.
- Linha editorial é eufemismo pra viés?
- Viés não é necessariamente negativo.
- Não?
- Pode ser neutro.
- Não existe neutralidade.
- Não existe objetividade, mas neutralidade existe, sim.
- Larga a mão de ser ingênuo.
- Por quê?
- Porque não existe nem uma coisa, nem outra.
- Larga mão de ser ranzinza.
- Seria muito melhor se a revista colocasse bem grande na capa: “Seguimos a linha tal. Pronto, o leitor saberia o que lê, poderia julgar melhor.
- O leitor é sempre o juiz final.
- De que adianta, se lhe são sonegados dados?
- Eu desisto, seu neurastênico!
- Ingênuo!
- Ranzinza!
- Inocente!
- Capadócio!
- Epa, capadócio não!