Agostinho da Silva – Nasceu no Porto,
dia 13 de fevereiro de 1906, e faleceu em Lisboa, no dia 3 de abril de 1994,
mas teve infância em Barca D’Alva,
caminho para Espanha, na província de Trás-os- Montes, que, “mesmo antes de
nascer”, teria escolhido por berço. Aos 18 anos concluiu o Liceu, licenciou-se em
Letras aos 22, com dissertação sobre o poeta latino Catulo, doutorando-se dois
anos depois na Universidade do Porto, com a tese Sentido Histórico das
Civilizações Clássicas. Completa os seu estudos no exterior – Collège de France
e Sorbonne; em Madri, no Centro de Estudios Históricos, onde pesquisa (e vive)
os grandes místicos do “Siglo de Oro”. Integrou o grupo “Seara Nova”, de
Antônio Sérgio, e como docente desenvolveu um vasto programa editorial e
pedagógico. Mas teve de emigrar nos anos 40. No Brasil, realizou investigações
científicas para o Instituto Oswaldo Cruz, de Manguinhos, participou criativamente
da cultura no Rio da Prata, integrou o grupo filosófico de São Paulo, com a
revista “Diálogo” e a comunidade de Itatiaia, pesquisou para o Itamaraty e
fundou centros de cultura ou universidades, com destaque para as federais da
Paraíba, Santa Catarina, Brasília e Bahia, onde o CEAO/Centro de Estudos
Africanos e Orientais desempenha até hoje um extraordinário trabalho de
aproximação com povos não indo-europeus. Criador dos “Cadernos de Iniciação
Cultural”, enciclopédia popular com enorme influência na juventude,
intelectuais, empresários, políticos ou povo em geral da sua pátria, é o autor de
centenares s de títulos e milhares de cartas que circularam pelo mundo inteiro.
Como introdução a sua escritura e pensamento, destacamos apenas: Reflexão à
margem da Literatura Portuguesa (editado pelo Serviço de Documentação do MEC),
Ensaio para uma Teoria do Brasil (publ. originalmente na revista “Anhembi”, de
Paulo Duarte), Um Fernando Pessoa (primeira edição do Instituto Estadual do
Livro, Porto Alegre), As aproximações e Dispersos, patrocinado em Lisboa pelo
ICALP, Ministério da Educação, em 1988. A Thesaurus publicou em 1999 o fac-símile
de um manuscrito seu com Reflexões, Aforismos, Paradoxos. São deste último
livro os 55 pensamentos aqui reproduzidos, sem destaque temático, pois seguem renumerados
a ordem do caderno em que, na forma de um diário, nosso autor os registrou ao
correr da pena.