É considerado um dos maiores clássicos
da língua portuguesa e, a par de Garrett e Castilho, compôs a tríade celebrada
do Romantismo português, depois definitivamente consagrado por Camilo.
Inaugurou o movimento literário em seu país e influiu também sobre os melhores
autores brasileiros. Iniciando os estudos humanísticos com os padres
oratorianos de Lisboa, por motivos pecuniários nunca pôde concluí-los em nível superior.
Por isso foi um tenaz autodidata que, na erudição ou na criação literária,
assegurou-se lugar de destaque entre os contemporâneos. Poeta, historiador,
dramaturgo, crítico e romancista, sua obra é vastíssima, e dilata-se ainda no
exercício político, iniciado com o movimento revolucionário de 1831, quando foi
obrigado a emigrar ainda muito jovem. Casou-se quase sexagenário. Por absoluta integridade
moral, decidiu afastar-se das atividades públicas e dedicou-se à agricultura,
recolhido à solidão da quinta de Vale de Lobos, onde veio a falecer. Os cinco
alentados volumes sobre a origem e estabelecimento da Inquisição portuguesa,
além de uma inacabada mas monumental História
de Portugal, culminam seus trabalhos de pesquisador e
assinalam a fundação da moderna historiografia. Harpa do Crente(poesias)
e a ficção histórica de Eurico,
o Presbítero, O Monge de Cister, O Bobo e Lendas e Narrativas, além de consagrarem a técnica e a estética românticas,
representam no melhor estilo o corpo e a alma da Nação, a exemplo dos textos
aqui reproduzidos.