Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo, em 12.9.1831,
e faleceu no Rio de Janeiro, em 25.4.1852. Em 1833 a família se mudou para
o Rio, vindo Maneco (assim o chamavam na intimidade) a ser matriculado, em
Niterói, num colégio onde o declaram “incapaz de aprendizagem”. Três anos
depois (1840), no colégio do Prof. Stoll, revelaria talento excepcional em
todas as disciplinas... Era franzino, mas de bela aparência, dotado de
temperamento brincalhão e dado à caricatura. De 1848 a 1851 cursa a
Faculdade de Direito de São Paulo, datando desse curto período toda a sua obra
literária, composta, principalmente, dos poemas da Lira dos Vinte Anose da prosa de Macárioe Noite
na Taverna. Em 22 de setembro de 1850,
sensibiliza-o o suicídio de um colega, em cujo enterro discursa. Em 15 de
setembro do ano seguinte, falaria no sepultamento de outro colega. Essas mortes
o impressionaram tanto que escreve na parede de seu quarto as respectivas datas,
seguidas dos nomes dos amigos vitimados, mais a de 1852, a que, de acordo com
sua sombria antevisão, havia de seguir-se o seu próprio nome. A 10 de março desse
ano sofre as primeiras dores denunciadoras de um tumor na fossa ilíaca, do qual
é operado com grande sofrimento. Na manhã de um Domingo da Ressurreição, 25 de
abril, recebe a extrema-unção, e às 5 horas da tarde pronuncia as derradeiras
palavras: “Que fatalidade, meu pai!” É um dos primeiros poetas brasileiros com características
nitidamente nacionais, pela ambientação, pelas descrições da natureza e pela
linguagem. Oscila entre o humor, o lirismo amoroso, a inquietação metafísica e
o pressentimento da morte que o colheria aos vinte anos. À parte sua grande
importância para a definição de uma literatura brasileira, a leitura de Álvares
de Azevedo mantém o fascínio nas épocas seguintes. Sua poesia tem o duplo
mérito de ser culta e singela, capaz de comover a sensibilidade popular.