Um dos mais importantes poetas do
modernismo mineiro, Ascânio Lopes Quatorzevoltas nasceu em Ubá em 11 de maio de
1906. Filho de Antônio Lopes Quatorzevoltas e Maria Inês Quatorzevoltas, foi levado
aos cinco meses para Cataguases, onde foi criado pelos pais adotivos, o
tabelião Cornélio Vieira de Freiras e Dulcelina Cruz, vindo a morrer aí em 10 de
janeiro de 1929. Era um dos integrantes do grupo Verde (1927-29), revista
editada em Cataguases entre 1927/29 por Rosário Fusco, Enrique de Rezende, Francisco
Inácio Peixoto, Martins Mendes e Guilhermino César, que representou uma das
mais importantes vertentes do modernismo fora de São Paulo. Morreu precocemente
vítima de tuberculose pulmonar. Cursava o terceiro ano da Faculdade de Direito
de Belo Horizonte. Sua poesia, de tom bucólico, evoca a infância, o passado, a
vida rural e a mesmice da vida interiorana. Tendo vivido apenas 23 anos, deixou
obra pequena, porém representativa, Poemas Cronológicos (1928). Em 1966 o
professor da UFMG Delson Gonçalves Ferreira escreveu Ascânio Lopes – vida e
poesia, um singelo estudo sobre a vida e produção poética de Ascânio, trabalho
que mereceu uma nova edição - revista, ampliada e enriquecida de novas
apreciações críticas – de autoria de Luiz Ruffato, com o título Ascânio Lopes –
todos os possíveis caminhos, resgatando a verdadeira dimensão de um poeta
precoce, considerado por muitos críticos como uma promessa do modernismo, tão
cedo desaparecido.