Antônio Frederico de CASTRO
ALVES nasceu
na fazenda Cabaceiras, Curralinho, hoje Castro Alves, BA, em 14.3.1847. Estudou
no Ginásio Baiano e nas Faculdades de Direito do Recife e de São Paulo. A tuberculose
se lhe manifesta já aos 17 anos. Ao sair do Recife, em 1867, de volta à Bahia
e, depois, rumo ao Rio de Janeiro e a São Paulo, vai acompanhado da atriz
Eugênia Câmara, por quem se apaixonara. Em São Paulo, fere acidentalmente o pé, numa caçada,
com a arma que levava a tiracolo. O ferimento infeccionou, tornando-se
necessária a amputação (realizada no Rio, em 1869, sem anestesia) e
agravando-se a enfermidade pulmonar. Já separado de Eugênia, retorna à terra natal.
Em 1970, lança Espumas Flutuantes. Falece em Salvador, em 6.7.1871, “junto a uma janela
banhada em sol, para onde fôra levado de acordo com o seu último desejo”
(Eugênio Gomes, em Castro
Alves, n.º 44 da Coleção Nossos Clássicos, Agir,
Rio, 1972).
A poesia de Castro Alves é altamente carregada de emoção e poderosamente musical. Sua capacidade de comunicação e encantamento é extraordinária, tanto na lírica amorosa e de exaltação à natureza quanto na de cunho social, abolicionista, em que ele se revelou mestre insuperável. Dita pelo Poeta, senhor de bela figura e bela voz, entusiasmado e capaz de vigorosa improvisação, era arrebatadora.
De seus poemas antiescravagistas, os mais famosos são “O Navio Negreiro”, não reproduzido aqui por sua grande extensão, e “Vozes d’África”. Integram o livro Os Escravos, a que pertence também “A Cruz da Estrada”. São de Espumas Flutuantes “Boa- Noite” e os sonetos “Marieta” e “Último Fantasma”, primeira e oitava “sombras” de “Os Anjos da Meia- Noite”. “Crepúsculo Sertanejo” é d’A Cachoeira de Paulo Afonso.