João da Cruz
e Sousa nasceu em 24 de novembro de 1861, na
antiga Desterro, atual Florianópolis. Era negro puro e filho de escravos
libertados antes da Abolição da Escravatura. Recebeu excelente educação, graças
à proteção dos proprietários de seus pais. Seus admiradores o chamaram Cisne
Negro e Dante Negro. Foi atuante jornalista em prol da Abolição. Sua estética simbolista
e sua cor lhe valeram grande antipatia de parte do ambiente intelectual e dos
parnasianos consagrados pelo público de fins do século XIX. Inaugurou o Simbolismo
no Brasil no ano de 1893, com os livros Broquéis(poesia) e Missal(prosa
poética). Tuberculoso e pobre, faleceu aos 36 anos, em março de 1898. Depois de
sua morte se publicaram as obras Evocações(prosa poética), em 1898, Faróis(poesia),
em 1900, e Últimos Sonetos, em 1905, graças ao apoio de uns poucos amigos e fervorosos
admiradores, dentre eles o ilustre crítico Nestor Víctor. Qualquer de seus
livros seria suficiente para lhe dar um posto entre os principais poetas da
língua portuguesa. O escritor e professor francês Roger Bastide o coloca ao
lado de Mallarmé e Stefan George. “Antífona”, que abre esta seleção, nas suas
belas quadras decassilábicas, é uma profissão de fé que não se desgasta numa
conceituação direta do Simbolismo, mas é em si mesma uma realização simbolista
de alta qualidade. Juntamente com “Monja”, integra os Broquéis. “Repouso”
é d’O Livro Derradeiro. As outras composições fazem parte dos Últimos Sonetos.