Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu na
Fazenda Santa Rita, Rio Claro (RJ), em 17.8.1841, e morreu em Niterói, em
18.2.1875. Esteve em Catalão (GO), Angra dos Reis e Petrópolis, antes de ir
para São Paulo, onde, aos 20 anos, liga-se escandalosamente a conhecida
mundana, publica o primeiro livro, Noturnas, e entrega-se a excessos boêmios. Em 1862, já na Faculdade
de Direito, casa-se com a filha do dono de um circo. Um ano depois nasce-lhes o
filho, que não passa dos três meses. A perda leva o poeta a compor o longo e
comovido “Cântico do Calvário”, obra-prima em decassílabos não rimados. A
mulher morreria em 1865. Varela casar-se-á novamente, mas não terminará a
faculdade. Por volta dos 30 anos, “passa a uma vida errante, perambulando pelas
fazendas fluminenses, sendo visto constantemente embriagado”, diz seu ilustre
biógrafo Edgard Cavalheiro. Não obstante a vida curta (33 anos) e desregrada,
produziu muito, e sua obra atinge, com freqüência, a mais alta qualidade. Dos
poemas aqui reproduzidos, os cinco primeiros, de Vozes da América,
dos Cantos Meridionais(dois), dos Cantos
do Ermo e da Cidadee dos Cantos
Religiosos, exemplificam-lhe os aspectos lírico-amoroso,
bucólico e religioso. O último, “Velha Canção”, não incluído em livro pelo
autor, é amostra de sua veia humorística e popular.