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Florbela Espanca

Poetisa portuguesa, viveu apenas 36 anos (08-12-1894 /08-12-1930), mas deixou uma obra representativa. Nasceu em Vila Viçosa, filha de Antonia da Conceição Lobo e batizada com o nome do pai incógnito. Recebeu o nome de Flor Bela de Alma da Conceição, tendo desabrochado para a literatura como Florbela Espanca (por designação do pai, João Maria Espanca, que só viria a reconhecê-la depois). Teve uma infância solitária e atormentada (perdeu a mãe pouco tempo depois do seu nascimento), tendo sido criada por duas madrastas. Já aos dez anos revela sua precocidade, ao escrever ao pai seus primeiros versos. Começou publicando poemas em jornais e, aos 25 anos, edita sua primeira obra, Livro de mágoas, seguido de Livro de Sóror Saudade (1923). Casou-se três vezes. Sua poesia revela um tom intimista e autobiográfico, presente a exacerbação do eu e uma certa profusão lírica, em que a paixão e os sentimentos são constantemente invocados, sobretudo a frustração dos amores não correspondidos. Sua permanente angústia existencial imprime um tom nihilista à sua obra. Não há preocupação social ou política em seus versos, no entanto trata da questão feminina, em que desejo e erotismo são abordados com delicada intensidade, num tempo em que esses temas eram tabus. Percebe-se também em sua escritura um viés de ceticismo, a partir do pessimismo e solidão que impregnam sua percepção do mundo, corroborando o que ela mesma diz, acerca de si e de sua obra: “irônica, desprezando tudo, desdenhando tudo, passando indiferente em todos os caminhos, fazendo murchar todas as coisas belas”. Deixou dois volumes de contos O dominó preto e As máscaras do destino, além de diários, correspondências, textos esparsos, nos quais registra suas impressões sobre a vida e as relações. Põe fim à sua vida no dia do seu aniversário, conforme anunciado em seus escritos. Postumamente, foram publicados Charneca em flor, Reliquiae e Juvenilia. Uma poetisa sensível e aguda, preocupada com o seu destino, inquieta diante das contradições da própria vida, matou-se, segundo a escritora e crítica Fernanda de Castro, “porque nunca soube pôr de acordo o seu corpo, o seu espírito e a sua alma”. Uma alma cujo infortúnio, na opinião de Agustina Bessa Luís, “foi ter talento e preguiça para o exercer” e “foi infeliz com razões para a felicidade.”

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