João Batista Ribeiro de Andrade
Fernandes, sergipano de Laranjeiras, nasceu em 1860 e faleceu em 1934 no Rio de
Janeiro—RJ. Foi Professor, por concurso, do Pedro II, da antiga Capital
Federal. Em 1898 ingressou na Academia Brasileira de Letras, tendo sido o
segundo ocupante, como sucessor do poeta Guimarães Junior (1847 –1898 ), da
Cadeira nº31, de que Patrono o poeta Pedro Luís (1839 – 1884 ). Múcio Leão lhe
traçou a biografia ainda na década de 30 do século recén-findo; e chegou a
conceber um plano de publicação, em 59 volumes, de suas Obras Completas,
intento em que não obteve êxito, como anotou no prefácio a Crítica – Vol.I –
Clássicos e Românticos Brasileiros, do grande polígrafo, publicação da ABL, de
1952. Da sua riqueza bibliográfica são: História Universal, História do
Brasil, A Língua Nacional, Páginas de Estética, Frases Feitas, Fabordão e O
Folclore, de cuja edição de 1969 foi tirado o que vai reproduzido neste fascículo
(1) O mencionado biógrafo, ao tratar dos trabalhos folclorísticos do seu
personagem, registrou: “...João Ribeiro acredita na alma do povo, Volksseele.
Cada povo tem a sua alma, dir-nos-á ele. E acrescenta que a alma é a constante,
de que o progresso, os impérios e as revoluções não passam de variáveis.” João
Ribeiro Redivivo, texto de Antonio Houaiss inserto em A Língua Nacional
e outros estudos lingüisticos (2), traz assim a figura do grande polígrafo
fascinante : “O espectro de interesses e competências e performâncias
intelectuais de João Ribeiro é estupendo.
Embora não tenha querido ser pontífice de nada (...), foi mestre de si mesmo e
de um sem-número de alunos, em português, grego, latim, francês, espanhol,
italiano, provençal, catalão, alemão, inglês, tupi e línguas brasílicas outras,
et coetera: estudou fundo a história e a historiografia (a chamada geral e a
brasileira), a geografia (e escreveu páginas geolingüisticas), a sociologia,
a psicologia, a estética, a arte, a arqueologia, a paleontologia, a geologia, a
história natural, a antropologia – que mais saberia eu lembrar? Saberia apenas
lembrar que o apaixonaram duas vertentes epistemológicas, a das ciências exatas
e a das inexatas, quero dizer, humanas,...”