Luís José Junqueira Freire nasceu em
31 de dezembro de 1832, em Salvador, onde viria a falecer em 24 de junho de
1855. Os escassos 22 anos de sua vida foram ricos em problemas de saúde e
conflitos íntimos, dos quais se vêem notórias marcas em sua poesia. Aos 18 anos
entra para o Mosteiro de São Bento da Bahia; professa em 1852, mas obtém
secularização em 1854. Sua luta interior trava-se “entre arroubos para Deus e a
sedução destruidora do pecado”, segundo Alceu Amoroso Lima (Estudos, 5.ª
série, 1933). “Escreveu muitas vezes em estado de semi-inconsciência, e sob esse
aspecto é um precursor”, diz Antônio Carlos Villaça, na antologia que lhe
organizou para a Editora Agir (Coleção Nossos Clássicos, n.º 66). O grande poeta
português Antero de Quental, citado por Manuel Bandeira (Apresentação da Poesia Brasileira, 1945), nele assinalou “aspectos geniais”. Foi um dos seis
ou sete grandes poetas de nosso Romantismo, que deram a última demão na tarefa
de estruturar uma poesia caracterizadamente brasileira. Para abrir esta
miniantologia, que integra uma série de destinação marcadamente popular,
escolhemos “A Órfã na Costura”, seu trabalho mais divulgado, das Inspirações do Claustro; os outros, de que se destacam as duas horas de delírio,
de linguagem mais complexa, foram extraídos das Contradições Poéticas.