"Relampeava,
alumiandoos cantos das construções na
velha cidade. Vez por outra era tão forte que dava pra ver os arrabaldes da
igreja do Desterro: a solitária torre. O vento sibilava em rajadas que badalavam
o sino, no ocaso. Mariano sentado na praça olhava pro mar,o vai-e-vem devagar dos barcos, absorto da
paisagem, à procura de uma órbita... Sim, porque sempre gravitara sob o domínio
do amor. E parecia não entender sua nova rota: teria que seguir um novo
destino, sua vida saíra fora de prumo, compreendia mas ainda não aceitava os
novos rumos: da mão pendia a faca, na bermuda branca, o sangue talhado de Dadá.
Uma cena marcante: seus gritos, a morte do cúmplice a golpes de faca, uma
tragédia de amor para as páginas do periódico; toda a sua estória de 15 anos se
passara em menos de 3 minutos, como um filmezinho, no lapso de 9 segundos...
Atirou fora a faca, o coração comprimiu como quem se conserva impassível sobre
tal acontecimento. Sim, o coração, o amor, essas coisas faziam com ele uma
espécie de querertraduzir em razão:
infeliz do que não cumpre com seu destino de um dia amar."