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Mário de Sá Carneiro

Ninguém melhor para definir a obra e a personalidade de Mário de Sá-Carneiro que Fernando Pessoa, seu contemporâneo, amigo e companheiro de Letras: “Sá-Carneiro não teve biografia: teve só gênio. O que disse foi o que viveu.” Um dos principais nomes do modernismo português, Mário de Sá-Carneiro viveu apenas 26 anos (19.05.1890 - C16.04.1916). Nascido em Lisboa, era filho único numa família abastada. Seu pai ficou viúvo quando ele tinha apenas dois anos de idade. Desde cedo, o poeta começa a experimentar suas primeiras ausências e angústias, o que o marcaria, e à sua obra, para sempre. Aos 13 anos foi para Paris estudar Direito, mas abandona logo no início o curso, seduzido pela boêmia artística parisiense e pelo convívio com artistas e intelectuais vanguardistas. Nesse período, inicia intensa correspondência com Fernando Pessoa, que se tornaria seu melhor amigo. Nessa relação epistolar, não só expõe suas angústias existenciais, como trava um diálogo estético da maior importância. Retornando a Lisboa, colabora na revista Orpheu, antes de publicar seu primeiro livro. A poesia de Mário de Sá-Carneiro é o retrato de sua vida. Reflete em sua obra uma dor permanente, uma tristeza ancestral, tanto que se considera um “castrado de alma”, algo que traduz de forma pungente nestes versos: Hoje, de mim, só resta o desencanto/ das coisas que beijei mas não vivi. Um poeta sintonizado com um lamento profundo e eterno, tentando conhecer-se, como também revelando um certo tom narcísico. Poeta e ficcionista, entre suas obras, destacam-se os poemas Dispersão, Indícios de ouro e Últimos poemas, seguidos de uma edição complementar de Poemas dispersose Primeiros poemas. Deixou, ainda, a peça teatral Amizade (em parceria com Tomás Cabreira Júnior), os contos de Princípio e Céu em fogo e a narrativa A confissão de Lúcio. De espírito inquieto e emocionalmente conturbado, revela a sua vida atormentada em versos apocalípticos: Perdi-me dentro de mim/Porque eu era labirinto.../Perdi a morte e a vida,/E, louco, não enlouqueço.../A hora foge, vivida;/Eu sigo-a, mas permaneço... E definindo-se, de forma singular: Eu não sou eu nem sou o outro,/ Sou qualquer coisa de intermédio:/ Pilar da ponte de tédio/ Que vai de mim para o Outro, encarna seu tédio e suas frustrações com a vida. Cumprindo o que prometeu, em carta, ao seu amigo e confidente Fernandoa Pessoa, suicida-se em Paris aos 26 anos.

Arquivos anexos

Texto integral do livro (465kb)


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