O Brasil e os Estados Unidos

O MERCOSUL - A parceria histórica
Quando o governo de Ernesto Geisel firmou com a Alemanha o Acordo Nuclear, em 1975, os Estados Unidos exerceram pressões sobre Brasil e Alemanha com o fim de desfazer essa cooperação em um domínio de alta tecnologia. Geisel denunciou então todos os acordos de cooperação militar com os Estados Unidos, estabelecidos desde os anos 1950. Esse episódio revela a contradição na parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos. Com efeito, uma relação especial fora concebida e encaminhada pelo Barão do Rio Branco, no início do século XX. Sua idéia tomou corpo com a aliança militar, a cooperação econômica e o financiamento para a usina siderúrgica de Volta Redonda, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas.
Consolidou-se com Juscelino Kubitschek, quando muitas empresas norte-americanas abriram filiais no Brasil. Em suma, a relação especial trazia efeitos benéficos para o processo de desenvolvimento brasileiro. Assim mesmo, surge nos anos 1970 a crise no relacionamento bilateral. Ela desvenda a competição entre o desenvolvimento brasileiro e interesses norte-americanos, seja no comércio bilateral ou em terceiros mercados, seja em razão da apropriação de tecnologias avançadas em domínios sensíveis como o nuclear, o espacial e o da indústria militar.
Desde então, até o presente, o lastro de fundo da parceria histórica a preservar permanece o eixo de referência dos dois países. Estudiosos norte-americanos, chamados de brasilianistas, e estudiosos brasileiroslembram aos dirigentes os benefícios dessa parceria para ambos os lados. E os governos empenham-se em manter a relação especial, apesar da competição, da rivalidade, do choque de interesses e da autonomia decisória em política exterior. O modo de ver o outro como diferente e próximo ao mesmo tempo explica, por exemplo, a relação cordial entre dois presidentes de perfis contraditórios como George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, que evocaram, em 2007, essa parceria, ao firmar importante acordo de cooperação na área de biocombustíveis.
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