Antônio Vieira (1608-1697) – Nascido em Lisboa, veio menino com os pais
para o Brasil. Fez os primeiros estudos e o noviciado com os jesuítas, na
Bahia, ordenando-se padre ainda adolescente. Muito jovem também, ensinou
retórica. Missionário, evangelizou os índios e os protegeu contra os excessos
da colonização, assim como viria a defender corajosamente a causa dos judeus de
Portugal. Duas vezes esteve prisioneiro; no Maranhão, quando se opôs à
escravização dos indígenas e, em Lisboa, quando a Inquisição condenou os seus
escritos de História do Futuro. Pregador portentoso, com profundo sentido do mistério,
político hábil, ativo diplomata e amigo do rei, encheu com seu gênio todo o
século XVII, legando-nos uma obra vastíssima, de vinte e seis grossos tomos, entre
200 sermões, cartas ou estudos sociais. Seu domínio absoluto do idioma, o
estilo oceânico e vertiginoso, a erudição, fi zeram dele um paradigma literário
fora de série e, com certeza, um dos maiores expoentes da sua época e a mais
extraordinária expressão da estética barroca. Com toda a razão e sabedoria
emotiva, Fernando Pessoa consagrou-o definitivamente no poema-livro Mensagem, de exaltação
épica e patriótica:
Imperador da língua portuguesa, foi-nos um céu também.