Sílvio Romero nasceu em Sergipe na
outrora vila, hoje cidade de Lagarto, no ano 1851, e faleceu no Rio de Janeiro
em 1914. Nessa última fizera os estudos preparatórios no Atheneu Fluminense; o
curso superior, na Faculdade de Direito do Recife. Clovis Bevilaqua, que historiou
o primeiro século da vetusta Instituição, referindo-se aos bacharéis de 1873,
disse de Sílvio Romero: “É uma das mais vigorosas mentalidades de que se
orgulha o país.” Foi ele historiador literário, filósofo, ensaísta e terçador
por suas idéias; e membro da Academia Brasileira de Letras. Da intensa e
extensa produção intelectual romeriana resultou vasta bibliografia, de que se
destaca a História da Literatura Brasileira.
Preocupado com a formação da nossa gente, voltou sua atenção para a Cultura do Povo. Daí, Cantos Populares do Brasil e Contos Populares do Brasil, que na observação de Luís da Câmara Cascudo constituem o primeiro documentário da literatura oral brasileira. Ao prefaciar a edição de 1954, da primeira dessas obras, da Coleção Documentos Brasileiros, já sob a direção de Octavio Tarquinio de Sousa, escreveu o grande Câmara Cascudo, aludindo à relação do seu autor com o campo temático: “O Folclore não foi para ele uma atividade. Era uma progressão de sua mentalidade, prolongava-lhe o poder aquisitivo pelo recurso infalível de recorrer às tradições populares como um reforço à sua inteligência. Para aquele Anteu o Folclore era o chão da terra, multiplicador de energia.”
À 5ª edição de Contos Populares do Brasil, a de 1911, de que se serve agora o organizador deste Fascículo, agregou o folclorista Nota Indispensável referente à 2ª, asseverando se lhe aplicar cabalmente, do seguinte teor: “Todos os contos que se encontram neste livro, exceto os cinco ou seis tomados a Couto de Magalhães para estudo comparativo, foram por nós diretamente recolhidos da tradição oral. Não incluímos neles nenhum artifício; nenhuma ornamentação. Nenhuma palavra há que não fosse fielmente apanhada dos lábios do povo.”