
O que se mostra com for�a, antes de tudo, na poesia de Cesar de Araujo � a emo��o que ele insufla nos versos. Substantivos e adjetivos normais se comportam, em seus poemas, como tendo a miss�o precisa de chegar ao leitor e �s vezes, comover; outras, abalar. Bom exemplo disso, � o seu poema de amor, Na alcova, apaixonadamente : N�o suporto nenhum tipo de ditadura: / s� a tua ditadura, amor. / Ai de mim! // Se tu queres, tudo dou / e nem sequer pedir eu posso./ Ai de mim! // Tu me esmagas, sufocas, oprimes, me devoras.// Eu te adoro e me apavoro. / Ai de mim! // Vou vivendo-morrendo assim. / De amor por ti e desamor por mim. / Ai de mim. // Deixar-te? / Jamais! Perder-te? Ai de mim!// Tomba o corpo. Seca a alma. Tudo morto. // Ai de mim, amor, ai de mim!
Antonio Olinto
Fugindo aos modismos, passageiros como costumam ser, e �s f�rmulas f�ceis de uma poesia mais imediatamente diger�vel, Cesar se utiliza do seu instrumental que, em suas m�os, se transforma em inventivo brinquedo, a L�ngua Portuguesa , para fazer que com o leitor, ao mesmo tempo em que vai enveredando pelas constru��es a que Cesar imprime vida e criatividade, pense, reflita, fa�a, enfim, de sua leitura, um meio de ampliar as suas possibilidades de compreender e transformar a realidade.
Mas se este � o Cesar sempre todo renovado, � ele tamb�m o mesmo.(...)
Alfredo Dolcino Motta
1� ed 2006 105p.