
Em uma noite de lua cheia de Áfricas e serenidades ele inventou o papele. Ou melhor, foi assim que designei o gesto que nele observei de inscrever a sua pele no papel da mesma cor: papel negro, onde ele se escrevia por inteiro, tinta clara em pele escura, luar em noite do mais profundo despertar.
Dizem que são feitos de matérias bem diferentes, o rosto humano e o da folha de papel. Porém, a partir daquele dia, eram o mesmo e único rosto: a identidade do ser deixando suas mais autênticas marcas nas folhas negras do caderno. Era como um amor desejado e finalmente consentido: a minha pele na tua pele, papele.
Editado por Thesaurus, 102 páginas, 1a edição, 2007.