
Estamos acostumados a ler relatos sobre ações beligerantes. Há livros sobre memórias de guerras e de teorização sobre essa terrível arte, alguns muitos antigos como aquele de Sun Tzu, outros mais recentes como o de Clausewitz, de Lin Pião, Giap e outros.
Mas, lamentavelmente, são poucos os que nos trazem a luta pela paz, a experiência em manter o convívio civilizado entre os povos.
É entre estes últimos que se situa o de Stelson Ponce de Azevedo.
Á época, jovem tenente de 24 anos, fora enviado para integrar com outros brasileiros em contingente das Nações Unidas para integrar com outros brasileiros um contingente das Nações Unidas para, na Faixa de Gaza, assegurar a paz entre árabes e judeus e entre dissidência existente no meio árabe, a fim de assegurar a normalidade da navegação no Canal de Suez.
O relato do hoje hoje Coronel Ponce é rico em observações. Treinado para atentar os mínimos detalhes de natureza situacional, a ele não passam despercebidos aspectos geográficos, antropológicos e psicológicos das populações da área litigiosa.
Inclusive demonstrando muita maturidade na compreensão generosa do lado humano de todas aquelas pessoas.
O texto possui inegáveis virtudes literárias, um estilo leve, sinóptico, que poderia até ser um roteiro cinematográfico. Plástico, visual, com suas descrições que desce a minudências sobre a arquitetura ou sobre as fisionomias mouriscas, mandíbulas largas, tez queimada pelo sol do deserto.
O jovem oficial, durante uma ronda de reconhecimento, tem de ser incisivo com seus comandos para lembrá-los que estavam ali em missão de paz.
É que soldados, em principio, são preparados para a guerra.
A saudade da pátria distante, o cafah, para usar a expressão árabe para significar "tristeza", a brancura das vivendas com terraços e pátios internos, o convívio com os companheiros - tudo isso constitui ingrediente desse livro que Stelson S. de Azevedo entrega aos leitores.
Ao leitor o livro, lembrei-me das leituras que fiz, na juventude, de Pierre Loti, em que retraça, em um estilo impressionista, o mundo mediterrâneo, as civilizações exóticas.
Possui este Em Nome da Paz valor etnográfico, histórico,político, memórias escritas por um oficial brasileiro sobre uma missão de paz que marcou indelevelmente a sua vida.
Publicado em 1996, 102 paginás, 1ª edição.