
Coguatá do Coronel Faustino pinta um dos momentos mais expressivos na história contemporânea de São Paulo; os pródromos da Revolução de 1932 e esse interregno que transcorreu entre a vitória da Revolução de 1932 e esse interregno que transcorreu entre a vitória da Revolução de 30 e a Revolução paulista de 32. Tanto mais expressiva é a narrativa, que Coguatá está "situada na zona cafeeira" que sofreu o impácto da substituição das estruturas econômicas que a Revolução de Outubro procedia, visando recuperar de vez, a São Paulo, a hegemonia político-administrativa.
Os personagens que se movimentam nesse minúsculo cenário de drama, oferecem ao leitor uma profunda humanidade na nitidez dos traços psicológicos, como os modela o Autor. Toda uma subhumanidade se acotovela, exudando variada gama de sentimentos conflitantes, descritos, no entanto, de maneira fluente; singela envolvente, a ponto do leitor a elas se juntar emocionalmente, sentindo como ela, a derrota do Movimento eclodido em 9 de julho, na decepção do Coronel Faustino, e que o levara a exilar-se desse pedaço de terra que tanto amava, desse mundo que o tinha como seu, e que se desmoronava diante de seu sentimento; mas o de, aí que ele adquire através da narrativa, não apenas o papel de personagem mas o de tipo, como se impõe; de todos os modos admirável.
Como retrato de uma época e de uma comunidade interiorana Coguatá do Coronel Faustino envolve o interesse do leitor. José Niccolini ao escrever esse romance-memória, estava longe de supor, que na singelesa de sua narração apoiaria uma estória, que além disso, se manteria como história, de vez que, os fatos narrados ocorreram, e os personagens que se movimentam nesse cenário, existiram, obrigue para evitar pronta identificação, tivessem de ser travestidos, sem, contudo se descaracterizarem, ainda assim, obrigando que fosse guardado o texto original, dando tempo ao tempo, para que essas figuras e esses fatos esmaecessem na memória das gentes coêvas; evitando as dificuldades da auto-identificação, que já agora estarão superadas.
Editado por Thesaurus, 1ª edição, 1981, 260 páginas.