
"No Brasil os bonecos chegaram com os primeiros portugueses que para cá
vieram, e podiam ser como em todo mundo; religiosos ou profanos. Quando
aqui chegaram tinham vários nomes; Presépio de Fala, Bonifrates,
Briguela, Engonços, mas logo adquiriram o sabor africano e indígena e
novos apelidos; João Minhoca, Cassimiro Coco, João Redondo, Calunga,
Babau e Mamulengo, como é mais conhecido. Apresentado em qualquer parte,
desde os salões da realeza até as feiras e casas mais pobres, da casa
grande à senzala, o mamulengo é para todos, sem distinção de idade,
credo religioso ou classe social. O mamulengueiro é geralmente um homem
com grande capacidade para inventar histórias e improvisar situações com
os bonecos, brincando com o público e fazendo críticas aos costumes
sociais, esse artista popular anda de povo em povo, levando e trazendo
diversão e informações, alimentando o espírito da brincadeira por onde
passa", Chico Simões (DF).
“Os bonequeiros são uma família espalhada por todos os países do
mundo. Nas deslocações, cruzamo-nos, revemo-nos e damos notícias do
resto da tribo. É muito importante saber dos outros, saber dos sucessos,
das dificuldades e também das vitórias", Manuel Dias, grupo Trulé,
Portugal.
"O Festival é muito importante para o mamulengo no Nordeste e acaba
fazendo o que muitas prefeituras poderiam e deveriam fazer, que é apoiar
e ajudar seus artistas", Mestre Zé Lopes (PE).
"Minha vida é
assim mesmo. Nunca pensei em ser calungueiro. Nunca pensei em andar de
avião. Nunca pensei em ir para Brasília. E olha só: deu tudo certo, e
estou muito feliz com as surpresas que a vida me deu" , Mestre Gilberto
Calungueiro (CE).
"Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade merece produzir um
Festival de grande porte no qual os bonecos, que fazem parte do nosso
imaginário são os protagonistas principais da festa", Associação
Cultural Menino de Ceilândia (DF).
Edição de 2011, formato 20x20cm, 144 páginas.