
Discípulo e amigo do sociólogo Gilberto Freyre, Adirson Vasconcelos dedica-se, nestas 48 páginas ilustradas de Uma Nova Experiência de Vida, a estudar o comportamento dos milhares de brasileiros que migraram para Brasília, quer durante a epopéia da construção, nos anos 50 do Século XX, quer depois da inauguração, a partir de 1960, quando a cidade se fez Capital de todos os brasileiros.
Brasília foi plantada nas regiões quase desérticas do planalto central de Goiás, onde o nível demográfico da área era de menos de um habitante por quilômetro quadrado. De repente, aflui para a área onde seria a nova Capital do Brasil milhares e milhares de pessoas oriundas dos mais diversos pontos do território nacional, trazendo, consigo, hábitos regionais, muitos sonhos, tradições, linguajares e até origens genéticas representativas das três raças formadoras da etnia brasileira: os brancos, os índios e os negros. Não esquecendo, até estrangeiros.
Toda esta complexidade de integração fixando-se no novo meio físico chamado Brasília. Uma mistura, um caldeamento, uma miscigenação. Com o tempo, identifica-se o fato mais curioso e significativo: pelos encontros, pelos relacionamentos e pelas uniões conjugais de nortistas com sulistas, de gente do leste com o centro-oeste etc etc, surge, curiosamente, um novo tipo étnico. É comum, em Brasília, um paraense casado com uma paulista, um gaúcho com uma goiana e, assim, sucessivamente. Isto oportunizou a geração de um novo tipo representativo de misturas étnicas, de miscigenação, com repercussão muito representativa para a antropologia. Isto é, a formação de um novo tipo de brasileiro resultante da integração nacional, um homem síntese do Brasil, como Adirson o define.
Tudo isto e a repercussão sociológica e civilizatória disto merecem estudos cuidadosos, interpretações e observações primorosas de Adirson Vasconcelos neste livro Uma Nova Experiência de Vida, formado pelos seguintes capítulos: Adaptação do homem ao novo meio físico, pág. 11, – O tipo étnico de Brasília, pág. 17, -Estudo da vida em geral, pág.21, -Um tema para se pensar, pág.27, -Forum de Debates de Brasília, pág.31, -O que os outros pensam, pág. 33.
Dedicando este trabalho ao Presidente Juscelino Kubitschek e ao sociólogo Gilberto Freyre, seus amigos e mestres, Adirson Vasconcelos extrai de JK uma frase definidora de Brasília no dia da inauguração da cidade: “Meu pensamento volta-se, neste instante, para as novas gerações que hão de recolher o fruto de nossos trabalhos e encontrar um Brasil diferente, um Brasil integrado no seu verdadeiro destino”.
1ª. Edição: 1967 – 48 págs. ilusts