
Os estudos verdadeiramente científicos sobre a língua portuguesa começaram muito tarde entre nós. Enquanto no Brasil e em Portugal ainda se discutiam questiúnculas estilístico filológicas (cf. a famosa polémica entre Rui Barbosa e Ernesto Carneiro Ribeiro!) nos Estados Unidos e na Europa a discussão em torno de temas teóricos e práticos já ia longe (cf. Saussure, os formalistas russos, o chamado Círculo Lingüístico de Praga, por um lado, e Sapir, Boas, Bloomfield, ete., por outro lado!). A única exceção foi, na década de cinqüenta, J. Mattoso Câmara Jr., com o seu Para o Estudo da FonéMica Portuguesa (publicado em 1953). Tivemos que esperar décadas para vermos outro lançamento do mesmo nível em língua portuguesa.
Reputamos de suma importância a publicação de obras escritas originalmente em português, aqui no Brasil, e não de traduções (embora estas sejam imprescindíveis também) porque assim evita se um pouco de evasão de divisas, na forma de direitos autorais. Além do mais, o surgimento de um livro, em geral, provoca reações, críticas (favoráveis e desfavoráveis), o que significa dinamismo no setor, para não dizer efervescência cultural (e científica).
Aqui no Brasil, às vezes discutimos questões teóricas que mal foram levantadas nos centros "que fazem a história", como nos Estados Unidos (cf. M. 1. T., p. ex.!) e Europa, esquecendo nos de que os estudos descritivos são indispensáveis.
Por esses (e outros) motivos um grupo de professores da UnB decidiu, por sugestão de Stella Maris B. Ricardo, publicar a presente coletânea, cuja finalidade precípua é uma tentativa de trazer uma contribuição, por menor que seja, à ingente tarefa que é o ensino da língua portuguesa. Ela enfeixa cinco trabalhos que se poderiam classificar como teórico empíricos, todos voltados para a língua portuguesa, quer analisando aspectos específicos, quer exemplificando com dados tirados dela.
Editado por Thesaurus, 1ª edição, 1981, 148 páginas.